• Redação - 10/04/2026 09:35 || Atualizado: 10/04/2026 09:35

A Polícia Civil do Piauí prendeu o prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), na manhã desta sexta-feira (10), no âmbito de uma investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que apura denúncias graves envolvendo possível exploração sexual de menores.

A Polícia Civil, nas primeiras horas da quinta-feira (09) estiveram na residência do prefeito, mas ele não foi localizado. As diligências seguiram ao longo do dia, quando também foi cumprido o mandado de prisão contra Samuel Noronha, sobrinho do gestor e igualmente investigado no caso.

O caso veio à tona após reportagens do Portal Pin Piauí e ganhou ainda mais repercussão quando o ex-funcionário do prefeito, Liedson Alves, passou a se manifestar publicamente por meio de vídeos nas redes sociais. Nas gravações, ele afirma que foi contratado inicialmente, em 2024, para atuar como garoto-propaganda na campanha de reeleição de Silas Noronha, com a promessa de assumir um cargo na prefeitura após o pleito.

Segundo Liedson, após a vitória eleitoral, o acordo teria sido alterado. Ele afirma que passou a ser pressionado a intermediar encontros entre o prefeito e adolescentes, sob a condição de receber pagamentos mensais. De acordo com o denunciante, os primeiros valores teriam sido pagos com recursos oriundos de fundo federal e, posteriormente, com dinheiro que ele atribui à própria estrutura da prefeitura.

O ex-funcionário relata que aceitou a proposta inicialmente por necessidade financeira, alegando que precisava garantir seu sustento. No entanto, afirma que tentou interromper a prática em diversas ocasiões, mas teria sido alvo de pressão psicológica, inclusive por parte de um sobrinho do prefeito, que, segundo ele, também participaria do suposto esquema.

As denúncias incluem relatos específicos. Em um dos casos, uma adolescente, enteada de um integrante do primeiro escalão da gestão municipal, teria sido abordada, mas recusado qualquer envolvimento, mesmo diante de insistência, envio de presentes e oferta de dinheiro.

Em outro episódio, Liedson afirma que intermediou um encontro entre o prefeito e a filha de outro membro da gestão. Segundo o relato, a jovem teria sido levada a um motel na cidade de Fronteiras e, posteriormente, teria ocorrido um novo encontro na residência do próprio gestor. O denunciante afirma ainda que havia a promessa de pagamento mensal à adolescente, que não teria sido cumprida.

Ainda conforme o depoimento, após ameaçar expor o caso, a jovem teria recebido dois pagamentos via PIX, no valor de R$ 500 cada, repassados por meio do próprio Liedson. Ele afirma que os recursos teriam origem em um posto de combustível ligado ao prefeito. Após esse episódio, a adolescente teria passado a sofrer ameaças e interrompido contato.

Liedson também declarou que procurou apoio político e apresentou provas, como prints de conversas e registros, a uma vereadora do município. Segundo ele, no entanto, as informações teriam sido utilizadas como forma de pressão contra o prefeito, em busca de espaço dentro da gestão.

Diante da gravidade das acusações, a Polícia Civil instaurou inquérito e realizou diligências, incluindo a apreensão de celulares para extração de dados que possam comprovar ou refutar os relatos apresentados. A investigação tramita com cautela, especialmente por envolver possíveis vítimas menores de idade.

Em nota oficial, o prefeito Silas Noronha negou todas as acusações. Ele classificou as denúncias como “caluniosas, inverídicas e sem qualquer fundamento”, afirmando que se trata de uma tentativa de ataque à sua honra motivada por perseguição política.