• Redação - 18/05/2026 15:19 || Atualizado: 18/05/2026 15:25

Além do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) aparece em mensagens encontradas nos celulares de empresários investigados pela Polícia Civil do Piauí na Operação Carbono Oculto 86. Os diálogos sugerem negociações envolvendo emendas parlamentares.

Arcoverde é sócio do senador na empresa JJE Agenciamento de Seguros e Serviços. Com sede em Teresina (PI), a empresa atua nos setores de reparo, manutenção e comercialização de peças automotivas, de acordo com registros da Receita Federal.

A Operação Carbono Oculto 86 é um desdobramento da investigação homônima que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação no setor de postos de combustíveis. No Piauí, a operação recebeu o número 86, em referência ao DDD local.

Ciro Nogueira e Arcoverde não são investigados, mas a Polícia Civil do Estado solicitou o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a investigação identificar menções aos parlamentares com foro privilegiado nas mensagens apreendidas nos celulares dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa.

Em abril, foi publicado os áudios obtidos pela Polícia Civil que indicam uma suposta proximidade entre Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Ciro Nogueira. Em uma das gravações, Danillo afirma que Beto Louco – apontado como um dos líderes da máfia dos combustíveis – seria “muito amigo” do senador piauiense.

Já o nome de Júlio Arcoverde surge em áudios em que empresários discutem recursos destinados ao município de Caxias, no Maranhão, com referência a emendas parlamentares.  A existência dessas conversas foi revelada pela Revista Piauí.

Em uma das mensagens, Danillo afirma: “O problema foi porque o prefeito cobrou os 130. Mesmo a gente já tendo pago para o Júlio, ele cobrou os 130 de novo. Aí a gente teve que dar para aquele ‘fela’ da puta, daquele prefeito. Aí o Júlio tinha que devolver os 130. Aí ele não devolveu”.

Na sequência, o empresário continua: “Quando a gente for acertar com ele essa emenda de Caxias, nós vamos já dizer: ‘Opa, Júlio, eu já te dei os 130’. Na hora que o dinheiro de Caxias entrar, é a hora que nós vamos puxar os 130 de volta.”

Em outro trecho da conversa, Danillo indica o rompimento de um suposto acordo envolvendo o deputado federal: “Esse negócio que a gente fez de compromisso com o Júlio aí acabou. Não tem mais. […] Pode ser uma emenda de R$ 1 trilhão. Não pago nada mais. Não faço mais nenhum compromisso daqui pra frente. Zero”.

Caxias é administrada pelo prefeito José Gentil Rosa Neto. Ele se filiou ao PP em abril de 2024, durante evento que contou com a presença de lideranças da legenda, entre elas Ciro Nogueira, presidente nacional do partido. 

Com informações ICL Notícias