• Redação - 29/05/2026 10:35 || Atualizado: 29/05/2026 10:43

A empresa contratada pela Prefeitura de Teresina, Distribuidora Mercury de Medicamentos Ltda, saiu de um contrato de pouco mais de R$ 600 mil no fim de 2023 para contratos que ultrapassam R$ 22 milhões dentro da estrutura da saúde pública de Caxias, no Maranhão. O crescimento acelerado da empresa no município passou a chamar atenção não apenas pelos valores envolvidos, mas principalmente pelo contexto em que a Mercury aparece ligada a uma empresa citada em investigações da Polícia Civil do Piauí, Gaeco e Draco no âmbito da chamada Operação Carbono Oculto 86.

O primeiro vínculo identificado entre a Mercury e a Prefeitura gerida por Gentil Neto (PP) foi firmado em 27 de dezembro de 2023. Registrado como Contrato Administrativo nº 001/2023, o acordo teve valor de R$ 604.800,00 para aquisição de medicamentos destinados à rede municipal de saúde.

Poucos meses depois, a empresa passou a aparecer vinculada a contratos muito mais robustos dentro da Secretaria Municipal de Saúde. O caso mais sensível identificado até agora envolve uma contratação estimada em cerca de R$ 22,5 milhões para fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares através de adesão à ata de registro de preços, o mecanismo conhecido como “carona”.

Nesse modelo de contratação, a prefeitura utiliza uma licitação já realizada por outro órgão público em vez de promover uma concorrência própria. Embora o procedimento seja permitido pela legislação, contratos milionários da saúde realizados por adesão à ata costumam despertar forte atenção de órgãos de controle devido ao risco de direcionamento, sobrepreço e baixa competitividade.

O salto da Mercury de um contrato de pouco mais de meio milhão para um vínculo milionário superior a R$ 22 milhões em curto espaço de tempo acabou se tornando um dos pontos mais críticos da pauta. Ainda mais porque os contratos ocorreram justamente dentro da área da saúde, setor historicamente marcado por investigações relacionadas a compras públicas e movimentações milionárias de recursos.

Outro fator que ampliou os questionamentos foi a ligação societária da Mercury com a empresa Pima Energia Participações Ltda. A Pima aparece citada em investigações conduzidas pela Polícia Civil do Piauí, Gaeco e Draco envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras suspeitas e estruturas empresariais ligadas ao setor de combustíveis.

Investigadores passaram a analisar possíveis conexões entre contratos públicos, empresários e emendas parlamentares ligadas ao município de Caxias. Os diálogos apreendidos durante a investigação mencionariam negociações envolvendo recursos públicos e empresários associados ao esquema investigado.

O cenário passou a chamar ainda mais atenção porque os contratos da Mercury ocorreram justamente em um período em que a Prefeitura de Caxias realizou uma sequência de contratações milionárias na saúde entre dezembro de 2023 e 2025. Somente os contratos identificados nesse período ultrapassam dezenas de milhões de reais em aquisições de medicamentos, insumos hospitalares e materiais odontológicos.

Além do contrato milionário, a Mercury continuou aparecendo em atas e contratos posteriores ligados ao fornecimento de medicamentos; insumos hospitalares; materiais odontológicos e psicotrópicos para a rede municipal.

Levantamento realizado pelo Blog do Neto Ferreira mostra ainda que parte das vigências contratuais da empresa segue ativa até 2026 dentro da estrutura da Secretaria Municipal de Saúde de Caxias.

Outro detalhe que chama atenção é que, até o momento, ainda não há transparência clara sobre o valor total efetivamente pago à empresa ao longo da execução contratual. Isso porque contratos assinados não significam necessariamente pagamentos integrais realizados, o que abre margem para novas informações envolvendo empenhos; liquidações; ordens bancárias e pagamentos efetivos feitos pela prefeitura.

No entanto, o conjunto de fatores transformou o caso em uma bomba relógio através do crescimento explosivo dos contratos; adesões milionárias à ata e ligação societária com empresa citada em investigação policial envolvendo a chamada “máfia dos combustíveis”.

Fonte: Neto Ferreira