• Redação - 21/06/2026 11:38 || Atualizado: 21/06/2026 11:41

Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP) vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões no município de Pedro 2º, Piauí, para uma offshore registrada nos Emirados Árabes Unidos e representada por um advogado que também atua para o parlamentar, diz a Folha. A operação foi concluída em março de 2025, segundo escritura da transação.

A propriedade foi adquirida pela Arraf International, companhia aberta dois meses antes da compra e registrada em uma zona franca de Sharjah, área conhecida por regras pouco transparentes e ausência de divulgação pública de sócios. 

A empresa é formalmente representada por Gustavo Frazão, que advoga para uma firma ligada ao senador e também ocupa cargo comissionado na Prefeitura de Teresina.

A estrutura societária da Arraf International não permite identificar o beneficiário final. Pelas regras locais, a companhia pode ser integralmente controlada por estrangeiros, sem exigência de sócio local.

Na escritura da venda, Frazão aparece como representante da offshore. A fazenda pertencia à Fazendas Reunidas Nogueira Lima, empresa ligada ao senador. 

Procurado, Ciro Nogueira afirmou, por meio de sua assessoria, que “nem ele nem ninguém da família dele é proprietário de nenhuma empresa fora do Brasil”.

Caso Master


A operação ocorre no mesmo período em que o senador é citado em investigações da Polícia Federal que apontam repasses milionários ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo apurações, empresas associadas ao parlamentar também teriam realizado outras transações imobiliárias no período.

A PF investiga ainda a relação entre o senador e operadores ligados a Vorcaro, além de possíveis benefícios financeiros e políticos decorrentes dessa proximidade.

Segundo a PF, Vorcaro bancou uma mesada de pelo menos 300 mil reais ao presidente nacional do PP, além de despesas pessoais, como hotéis de luxo, e até gastos no cartão de crédito.

Os pagamentos teriam resultado na apresentação da “Emenda Master”, que tinha por objetivo aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e proteger o negócio fraudulento do banco.

Fonte: ILC Notícias