Redação - 28/11/2025 15:09 || Atualizado: 28/11/2025 15:51
O segundo homem da Vice-Prefeitura de Teresina, Uiata Lima de Paula, foi um dos alvos da Polícia Federal deflagrada na Secretaria Municipal de Educação (SEMEC), no âmbito das investigações sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Segundo o relatório que embasa a decisão judicial, há “robustos indícios de corrupção sistêmica” envolvendo pagamentos diretos — e sem justificativa lícita — feitos pelos operadores do esquema, Marcus Almeida e Francisco de Jesus dos Reis, para agentes públicos estratégicos. Entre eles, Uiata Lima de Paula, que, segundo a PF, atuava como fiscal do contrato da empresa Alfa Gestão, além de Fabiano Nogueira e de integrantes da família da gestora de contratos Leila Rejane.
A decisão destaca que tais transações configuram fortes indícios de quid pro quo, ou seja, troca de favores envolvendo pagamentos e contrapartidas dentro da SEMEC.
A análise de extratos bancários revelou um esquema de lavagem estruturada, com uso de depósitos fracionados que, somados, ultrapassam R$ 23,6 milhões. Também foi identificado o uso de contas de passagem, como a conta de Litucera Victor Almeida Marcus Almeida, que recebia valores e repassava imediatamente, indicando tentativa de ocultação dos destinatários finais.
A PF menciona ainda a confirmação de denúncias específicas, como o repasse de R$ 635 mil da empresa Mutual para a construtora responsável pela mansão de Suelene Pessoa, além da ligação operacional entre Ação Serviços e Alfa Gestão, empresas tidas como parte do núcleo empresarial do esquema. Também foram identificados beneficiários ocultos, como Cláudio Tinoco Tajra.
O relatório afirma que a investigação financeira “conectou o dinheiro desviado aos beneficiários finais no núcleo político-administrativo”, reforçando a materialidade dos crimes investigados.
Sobre a operação
A PF informou que as investigações começaram em 2023 após denúncias de irregularidades em contratos de terceirização de mão de obra da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC), referentes aos certames de 2019 e 2022, ambos ainda em execução. “As fraudes ocorreram na gestão pública anterior, e os quatro servidores públicos investigados foram exonerados em meados de 2025. Durante a operação, outras quatro pessoas também foram presas estas não são servidores, mas indivíduos apontados como responsáveis pela movimentação financeira ilícita do esquema”, informou.
As análises identificaram direcionamento contratual, uso de empresas de fachada, indícios de superfaturamento e retenção indevida de parte dos salários de trabalhadores terceirizados.