• Redação - 28/01/2026 09:21 || Atualizado: 28/01/2026 09:31

Diante de denúncias já protocoladas no Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) e no Ministério Público do Maranhão, novos documentos obtidos pela reportagem reforçam indícios de possível superfaturamento envolvendo a empresa M R Locações e Serviços, de propriedade do empresário Marcos Pagóbio. Somente no ano de 2025, a empresa teria recebido R$ 1.912.670,45 (um milhão, novecentos e doze mil, seiscentos e setenta reais e quarenta e cinco centavos) dos cofres públicos do município de Buriti dos Lopes (PI), cidade com pouco mais de 20 mil habitantes.

No centro das suspeitas, Pagóbio aparece como principal beneficiário de uma sequência de contratos e pagamentos relacionados à realização de supostos eventos públicos, muitos deles cercados por questionamentos quanto à efetiva execução dos serviços, aos valores contratados e à própria origem dos recursos utilizados. Há quem diga, que a força do empresário vem da forte ligação com o senador Ciro Nogueira e o presidente do Progressistas, Joel Rodrigues. Na cidade também circula que Pagóbio vai lançar seu nome para prefeitura de Piracuruca em 2028.

Embora um comunicador da capital piauiense tenha tentado minimizar as denúncias, defendendo a idoneidade do empresário e afirmando que “a internet não é terra de ninguém”, os números que fundamentam as suspeitas não se baseiam em especulações ou ilações, mas em registros oficiais constantes no Portal da Transparência do Município e nos sistemas do Tribunal de Contas do Estado.

Levantamento feito a partir desses dados oficiais revela que, apenas em 2025, a M R Locações e Serviços foi contemplada com pagamentos oriundos de diversas secretarias municipais e múltiplas fontes orçamentárias, inclusive recursos do FUNDEB, fundo constitucionalmente vinculado à educação básica.

Entre os repasses que colocam Marcos Pagóbio no epicentro das denúncias, destacam-se:

  • 12 de junho de 2025: pagamento de R$ 78.185,21 pela suposta locação de palco, sonorização, iluminação, tendas especiais, banheiros químicos e painel de LED para a chamada Festa das Mães, organizada pela Secretaria Municipal de Cultura;

  • 21 de julho de 2025: repasse de R$ 287.000,00 referente à locação de estrutura completa para as festividades do 91º aniversário de Buriti dos Lopes, evento realizado entre os dias 3 e 6 de setembro de 2024, mas pago apenas no exercício financeiro seguinte;

  • 12 de junho de 2025: pagamento de R$ 90.866,66, custeado com recursos do FUNDEB, para a realização da 4ª Caminhada do Autismo, incluindo palco, buffet, decoração, painéis de LED e gerador móvel — despesas que levantam questionamentos quanto à compatibilidade com a finalidade legal do fundo;

  • 14 de novembro de 2025: novo repasse de R$ 46.866,66, novamente com recursos do FUNDEB, para a locação de estruturas temporárias em evento de capacitação da Secretaria Municipal de Educação.

Somados, os pagamentos alcançam R$ 1.912.670,45, valor considerado elevado e desproporcional para um município de pequeno porte, sobretudo diante da concentração dos repasses em curto espaço de tempo e da natureza dos serviços contratados.

Especialistas em controle e fiscalização dos gastos públicos ouvidos pela reportagem apontam que a repetição de contratos, a concentração de pagamentos em um único fornecedor, o uso de recursos da educação em eventos festivos e o histórico de denúncias envolvendo a empresa em outros estados são elementos que, em tese, podem indicar favorecimento em licitações, superfaturamento ou irregularidades na execução contratual.

Se, como afirmou o comunicador, “a internet não é terra de ninguém”, Buriti dos Lopes tampouco deveria ser. Os dados são públicos, oficiais, empenhados e pagos. Cabe agora ao Ministério Público e aos Tribunais de Contas apurar se os serviços contratados foram de fato executados, se os valores pagos correspondem à realidade dos eventos e se os recursos públicos cumpriram sua finalidade legal.

Até o fechamento desta reportagem, o empresário Marcos Pagóbio não foi localizado para apresentar esclarecimentos ou exercer o direito de resposta. O espaço segue aberto.

 

Com informações Eixo do Poder