Redação - 19/11/2025 12:13 || Atualizado: 19/11/2025 12:15
O material apreendido durante a Operação Carbono Oculto 86 será enviado ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) da Bahia para análise. A informação foi confirmada pelo Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), responsável por recolher placas eletrônicas e outros equipamentos suspeitos de fraude em postos de combustíveis.
Segundo o Imepi, as peças passarão por perícia técnica, procedimento considerado de rotina em investigações desse tipo. Ao todo, 49 postos foram interditados nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins durante a operação.
Deflagrada no dia 4 de novembro, a operação apura um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, com indícios de participação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As movimentações suspeitas ultrapassam R$ 52 bilhões no país, sendo R$ 300 milhões apenas em empresas sediadas no Piauí.
De acordo com o inquérito, o grupo utilizava empresas de fachada, fintechs, fundos de investimento e distribuidoras fantasmas para disfarçar a origem dos recursos. Mais de 70 CNPJs e 504 notas fiscais eletrônicas foram emitidos por companhias ligadas ao esquema.
As fraudes incluíam operações fictícias de compra e venda de combustíveis, uso de transportadoras inexistentes e contratos falsos.
O presidente do Imepi, Júlio Macedo, explicou que diversas bombas já haviam sido autuadas por “bomba baixa”.
“Em alguns postos, a cada 20 litros abastecidos, 10% não chegava ao tanque do consumidor. A fraude podia ser desligada remotamente, até pelo celular. As placas eletrônicas estão sendo enviadas ao Inmetro para análise”, afirmou.
A investigação teve início após a venda da Rede de Postos HD, com unidades no Piauí, Maranhão e Tocantins. A transação, realizada em dezembro de 2023, levantou suspeitas pela criação repentina da empresa Pima Energia Participações Ltda., formalizada apenas seis dias antes da compra.
A holding, com sede em São Paulo, assumiu o controle dos postos com participação de empresas como Mind Energy Participações e Rede Diamante, ligada ao empresário Denis Villani, apontado como articulador das operações no Nordeste. Villani teria ligação direta com Rogério Garcia Peres, da Altinvest Gestão de Recursos, investigado como operador financeiro do PCC.
Também foram identificados laranjas inseridos no quadro societário das holdings, como Moisés Eduardo Pereira e Salatiel Soido, usados para ocultar os reais responsáveis. Os antigos donos da Rede HD, Haran Sampaio e Danillo Soares, permanecem sob investigação.