Redação - 07/05/2026 15:27 || Atualizado: 07/05/2026 15:30
O argumento de que a relação entre o senador Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro seria apenas de amizade começa a perder força diante dos elementos revelados pela investigação da Polícia Federal. Segundo os investigadores, o que aparece nos autos vai muito além de uma relação pessoal e aponta para uma ligação com interesses financeiros, políticos e vantagens custeadas pelo grupo ligado ao Banco Master.
De acordo com a PF, Vorcaro teria feito repasses mensais que chegariam a R$ 500 mil ao senador, além do custeio de despesas pessoais, cartões de crédito, restaurantes e viagens internacionais de alto padrão. A investigação também cita hospedagens de luxo, deslocamentos e outros benefícios que, segundo a polícia, reforçam que a relação extrapolava o campo da amizade.
Em um dos diálogos interceptados e anexados à decisão judicial, o operador Léo Serrano pergunta ao banqueiro: “É para os meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro, Flávia, até sábado?”. Vorcaro responde: “Sim, depois leva meu cartão para a Sambat”. Para os investigadores, as mensagens mostram uma relação direta de favorecimento financeiro envolvendo o senador.
A linha da investigação sustenta que Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e uma das principais lideranças do Centrão, estaria atuando politicamente em favor dos interesses de Daniel Vorcaro. O caso ganhou ainda mais repercussão após a Operação Compliance Zero cumprir mandados em endereços ligados ao senador e ao seu irmão, Raimundo Neto, que passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do STF.

