• Redação - 07/05/2026 09:13 || Atualizado: 07/05/2026 09:13

A Polícia Federal avançou sobre o núcleo político investigado na Operação Compliance Zero e aponta que o senador Ciro Nogueira teria recebido repasses mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. As informações constam na investigação que resultou em mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (7) em endereços ligados ao parlamentar.

Segundo a PF, a relação entre Ciro e Vorcaro extrapolaria uma “mera amizade”, um “vínculo fraternal” ou uma “atuação política regular”, configurando supostas trocas financeiras e políticas. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão repasses mensais, aquisição de participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, disponibilização gratuita de imóvel de alto padrão e custeio de viagens internacionais.

As investigações apontam que os pagamentos eram operacionalizados por meio da parceria entre a empresa BRGD S.A. e a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro e seu primo, Felipe Cânçado Vorcaro, tratam diretamente sobre os valores destinados ao parlamentar.

Em um diálogo datado de 28 de janeiro de 2025, Felipe demonstra preocupação com os pagamentos:

Felipe Vorcaro: “Oi Daniel, tudo bem? Pessoal me passou aqui sobre o aumento dos pgtos parceiro brgd, mas fluxo está indo praticamente todo para o BTG e ainda estou precisando aportar valores altos todo mês. Amanhã estarei o dia todo em SP, tem algum horário que poderíamos falar?”

Daniel Vorcaro: “Estou na Venezuela. Resolve isso pra mim. Eu ponho dinheiro depois para repor.”

Já em outro trecho, do dia 30 de junho de 2025, os investigadores afirmam que Daniel demonstra preocupação com atraso nos pagamentos:

Daniel Vorcaro: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”

Felipe Vorcaro: “Vou ver se dou um jeito aqui. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”

A quinta fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes financeiros relacionados ao Banco Master. Até o momento, a defesa do senador não se pronunciou sobre o conteúdo das investigações.