• Redação - 26/02/2026 14:00 || Atualizado: 26/02/2026 14:20

Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra do sigilo bancário do empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, investigado por suposta ligação com o esquema de postos de combustíveis associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí.

O que chamou a atenção das autoridades foi a movimentação de R$ 33.127.323,65 em apenas seis meses, entre novembro de 2024 e abril de 2025. O volume expressivo e a rapidez das transferências colocaram o empresário no centro das investigações que cruzam dois grandes eixos: a chamada “Farra do INSS” e um suposto esquema de lavagem de dinheiro no estado.

Segundo apurações da CPMI do INSS, a empresa Solução Serv e Tecnologia Ltda., ligada a Natjo de Lima Pinheiro — ex-presidente e tesoureiro da Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas (CAAP) — teria realizado repasses milionários para a Pima Energia Cegonha Ltda.. A suspeita é de que valores obtidos por meio de descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados tenham sido direcionados à estrutura empresarial investigada.

As investigações também dialogam com a Operação Carbono Oculto 86, que apura a utilização do setor de combustíveis e da chamada Rede HD como possível fachada para integrar recursos ilícitos ao mercado formal. A hipótese analisada é que parte dos valores desviados do INSS tenha sido injetada nesse sistema para ocultação da origem criminosa.

No dia 20 de fevereiro de 2026, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou requerimento solicitando: Quebra de sigilo bancário e fiscal de Haran (2017–2025); Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) ao Coaf; E o cruzamento de dados com a Receita Federal e declarações de Imposto de Renda.

De acordo com o relatório, a medida é considerada “indispensável para identificar a compatibilidade entre patrimônio, movimentações financeiras e eventual participação no esquema de desvio de recursos previdenciários”.

O avanço das apurações pode revelar a extensão do fluxo financeiro e eventuais conexões entre operadores do sistema associativo e estruturas empresariais sob suspeita no Piauí.