• Redação - 24/02/2026 11:40 || Atualizado: 24/02/2026 11:54

Um fluxo financeiro de R$ 33.127.323,65, movimentado em apenas seis meses, tornou-se o elo central entre o escândalo da “Farra do INSS” e uma rede de lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí. O volume e a rapidez das transferências, realizadas entre novembro de 2024 e abril de 2025, acenderam o alerta das autoridades de controle.

As investigações apontam que a empresa Solução Serv e Tecnologia Ltda. realizou repasses milionários para a Pima Energia Cegonha Ltda. A Solução Serv está vinculada a Natjo de Lima Pinheiro, ex-presidente e tesoureiro da Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas (CAAP).

Segundo dados da CPMI do INSS, a Solução Serv operava no centro de um esquema de "descontos associativos" indevidos em benefícios de aposentados. O dinheiro, desviado de milhares de segurados, era posteriormente transferido para a Pima Energia. Investigadores buscam agora confirmar se o faturamento declarado dessas empresas é compatível com esse fluxo de R$ 33 milhões.

A Conexão com a "Operação Carbono Oculto 86"

O caso ganha contornos ainda mais graves ao cruzar dados com a Operação Carbono Oculto 86. Esta operação investiga uma estrutura de lavagem de dinheiro que utilizaria a comercialização de combustíveis e a Rede HD como fachada para integrar recursos ilícitos do PCC ao mercado formal.

A hipótese das autoridades é que os recursos da “Farra do INSS” foram injetados nessa estrutura empresarial para ocultar sua origem criminosa, ampliando o alcance das fraudes contra o sistema previdenciário.

CPMI aperta o cerco contra operadores

Em desdobramento recente, no dia 20 de fevereiro de 2026, o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou um requerimento decisivo para o avanço das apurações.

Medidas solicitadas pela CPMI:

  • Quebra de sigilo bancário e fiscal: Alvo sobre Haran Santhiago Girão Sampaio, abrangendo o período de 1º de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2025.

  • Relatórios do Coaf: Solicitação de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) para rastrear a origem e o destino final das movimentações.

  • Acesso a Dados: Cruzamento de informações com bancos de dados da Receita Federal e declarações de Imposto de Renda.

Haran é suspeito de realizar transações financeiras atípicas com empresas e operadores investigados na Operação Sem Desconto (Polícia Federal e CGU), que apura acordos de cooperação técnica fraudulentos entre associações e o INSS.

"A quebra de sigilo é indispensável para identificar os vínculos entre o patrimônio constituído e o esquema de desvio de benefícios", justifica o relatório da Comissão.

As autoridades seguem apurando as responsabilidades individuais.