Após denúncias divulgadas pelo Portal Pin Piauí, sobre o prefeito de Pio IX, Silas Noronha, envolvendo pedofilia, o caso teve novos desdobramentos. As acusações partiram do ex-funcionário Liedson Alves, que afirma ter atuado como agenciador e alega que o gestor teria se relacionado com adolescentes que lhe eram apresentadas. Ele também afirma ter sofrido ameaças e diz possuir áudios, vídeos e outros materiais que comprovariam as denúncias.
Após a repercussão do caso, um áudio atribuído ao prefeito passou a circular nas redes sociais. Na gravação, o gestor pede insistentemente que o Liedson apague publicações feitas nas redes sociais. “Apague isso tudo que amanhã nós conversa”, diz em um trecho. Em outro momento, reforça: “Apaga tudo aí, apaga, apaga, apaga”, tentando minimizar possíveis consequências jurídicas e afirmando que a orientação teria partido de advogado.
O conteúdo gerou nova reação do ex-funcionário, que, no último domingo (22), voltou às redes sociais para reafirmar as acusações e divulgar o áudio. Segundo ele, a iniciativa ocorreu após o prefeito afirmar publicamente que as denúncias seriam uma tentativa de extorsão. Liedson declarou ter ficado indignado com a acusação e sustentou que possui provas já entregues às autoridades. O jovem também afirma ter sofrido ameaças e diz temer por sua segurança.
Entenda o caso
O prefeito de Pio IX é alvo de investigação no Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sob suspeita de favorecimento à exploração sexual de menores. O processo está sob análise da 2ª Câmara Especializada Criminal. As denúncias partiram de um ex-integrante da campanha do prefeito, que afirma ter atuado como intermediador na aproximação entre o gestor e adolescentes. Segundo ele, as jovens teriam entre 13 e 14 anos e seriam apresentadas mediante pagamento.
O denunciante relata que o suposto esquema envolvia promessa de emprego e repasses financeiros mensais. Após a reeleição do prefeito em 2024, ele afirma ter sido procurado por pessoas ligadas ao gestor e, posteriormente, pelo próprio prefeito, que teria proposto a continuidade dos pagamentos em troca da intermediação com menores. Ainda conforme o depoimento, os encontros teriam ocorrido em diferentes locais, incluindo imóveis na cidade e espaços fora do município.
O denunciante afirma possuir provas como áudios, vídeos, registros de transferências e conversas, que já teriam sido entregues à polícia. A investigação teve início na Polícia Civil do Piauí, por meio da 1ª Delegacia de Corrente, e depois foi encaminhada ao Judiciário.
O caso segue em tramitação no Tribunal de Justiça do Piauí e não há decisão definitiva até o momento. Por envolver investigação em andamento, o processo corre sob sigilo parcial.