Redação - 21/05/2026 12:26 || Atualizado: 21/05/2026 12:32
O senador Ciro Nogueira volta ao centro de mais uma investigação que envolve empresários poderosos, movimentações milionárias e operações da Polícia Federal. E o que começa a chamar atenção não é apenas a quantidade de nomes ligados ao entorno do senador, mas a repetição do padrão: toda vez que uma nova investigação surge, aparece também uma nova justificativa para tentar explicar relações financeiras consideradas suspeitas pela PF.
Primeiro veio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apontou supostas vantagens indevidas envolvendo o senador, como pagamentos recorrentes de R$ 300 mil destinados à “estrutura vinculada ao Senado”, compra de participação societária abaixo do valor de mercado, uso de imóvel ligado ao empresário, além de custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados.
Após a repercussão das buscas da PF, Ciro tentou minimizar a relação afirmando que os vínculos empresariais poderiam estar relacionados à venda de peças de motos em Teresina. A justificativa rapidamente virou alvo de ironias nas redes sociais diante da dimensão dos valores investigados.
Agora surge um novo capítulo: o nome de Ricardo Magro, empresário do grupo Refit e apontado pela Polícia Federal como peça central de um esquema bilionário investigado na Operação Sem Refino.
Segundo a PF, a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda., registrada em nome de familiares do senador, apareceu na contabilidade da empresa Athena Real Estate Ltda. com movimentações de R$ 14,2 milhões somente em 2024. A Athena é apontada pelos investigadores como vinculada a fundos e estruturas empresariais ligadas ao ecossistema financeiro da Refit.
De acordo com os investigadores, os recursos circularam por empresas associadas ao conglomerado empresarial de Ricardo Magro, empresário que aparece no centro das apurações sobre favorecimento político, benefícios fiscais e suspeitas de uso da máquina pública no Rio de Janeiro.
A resposta de Ciro Nogueira foi novamente rápida: segundo o senador, os valores seriam referentes à venda regular de um terreno altamente valorizado em Teresina, devidamente declarada aos órgãos competentes.
Mas a nova explicação também levantou questionamentos políticos e públicos. Afinal, por que um grupo empresarial investigado pela PF, ligado a operações financeiras bilionárias e suspeitas de favorecimento político, teria interesse em movimentar R$ 14 milhões envolvendo uma empresa da família de Ciro Nogueira?
A situação se torna ainda mais delicada porque a Operação Sem Refino investiga justamente um suposto esquema de influência política para beneficiar interesses do grupo Refit. Segundo a Polícia Federal, o governo do Rio de Janeiro teria atuado diretamente em favor do conglomerado empresarial de Ricardo Magro, inclusive com medidas apelidadas informalmente pelos investigadores como “Lei Ricardo Magro”.
Ao mesmo tempo em que as investigações avançam, cresce em Brasília a percepção de desgaste político em torno de Ciro Nogueira. O senador, que durante anos ocupou posição estratégica no centro do poder, agora vê pessoas próximas, aliados e estruturas ligadas ao seu entorno político aparecerem repetidamente em relatórios da Polícia Federal.
O que mais chama atenção é a sequência dos fatos. Primeiro Daniel Vorcaro. Agora Ricardo Magro. Antes, peças de motos. Depois, terreno milionário. Sempre existe uma justificativa apresentada pela defesa. Mas também sempre existe uma nova conexão financeira descoberta pelas investigações. Afinal, por que tantos personagens investigados acabam orbitando tão perto de Ciro Nogueira?